(Graduado em Direito pelo IESA de Santo Ângelo - RS (2005). Especialista em Direito Processual Penal e Civil pela UPF - RS (2007). Mestrando em Direito pela Unitoledo - SP (2008). Estudante do Cambridge Law Studio - Inglaterra (2009). Professor de Direito Internacional, Direito Comunitário e Direitos Humanos da Rede de Ensino LFG (SP) e do Curso Juspodivm (BA). Procurador Federal - AGU. Palestrante. Pesquisador. Associado à ONGTransparência Brasil.)
22 de dezembro de 2008
Paraninfo e patrono – Professor Diego Pereira Machado
Ilustríssimo Diretor-Geral
Ilustre Vice-Diretor
Ilustre Coordenador do Curso de Direito
Membros dos Três Poderes da República
Senhores Professores
Senhores Advogados
Demais autoridades presentes
Minhas Senhoras
Meus Senhores e
Meus queridos afilhados
“(...) há coisas que nunca se poderão explicar por palavras”, já disse José Saramago, então imaginem como será, no mínimo, desafiadora minha missão, nesse curto espaço de tempo, de tentar expressar meus sentimentos mais sinceros quanto a essa primeira turma de Direito do Unisalesiano.
Por mais paradoxal, contraditório, agonizante tenha sido o processo de elaboração do presente discurso, confesso aos presentes que foi de uma importância impar em minha vida. Ter sido eleito paraninfo em duas turmas e patrono em outra, com apenas um ano de casa, já é motivo de se bradar aos quatro cantos o orgulho que domina meu coração, mas não posso deixar esse fato envaidecer minha alma, porque aqui apenas cabe me direcionar a Vossas Senhorias, meus queridos alunos, meus amados afilhados, meus eternos amigos, meus verdadeiros mestres nesse ano de 2008. Nessa última semana constatei o quão aterrorizante e ao mesmo tempo gratificante é a missão de um paraninfo.
Nesse tipo de cerimônia muitos aduzem que ler é imprescindível, o papel torna-se regra. Mas confesso, o formalismo processual nunca foi do meu agrado, a razoável duração do processo da Emenda Constitucional 45 de 2004, a simplicidade e celeridade dos Juizados Especiais sempre foram ditames que soaram com agrado aos meus ouvidos, sendo assim, vou ler unicamente por ser este o único recurso que realmente me ajudará a conter as lágrimas e a emoção.
Tentarei ser emotivo, almejo a sinceridade e espero marcar meu nome em seus corações, pois o de vocês já está cristalizado na minha história de vida.
Lembro-me do primeiro dia de aula, subi às escadas com nosso querido coordenador, o qual devoto profunda admiração, e carimbo o selo de qualidade como professor competente e com visão. Ele me conduziu até as duas turmas, uma da manhã e outra da noite. Num primeiro momento pensei: nossa, que “bando”; num segundo instante senti uma paixão, a qual procurei materializar durante esse ano letivo. Recebi a informação de que se tratava de uma turma cobaia, por ser a primeira turma de direito, mas várias vezes me perguntava se uma cobaia poderia carrear consigo uma personalidade tão forte como a dessa turma, o significado da palavra cobaia é incompatível com os cabelos brancos que essa turma “plantou” nas cabeças de muitos professores, mas isso não é uma reclamação, deve ser interpretado como fato aceitável frente a uma turma de direito, um desenrolar normal do processo de consolidação do Estado Democrático. A despeito dessa polêmica que sempre rodeou a primeira turma de Direito, meu amor pela turma foi “a primeiro vista”, instantâneo e para sempre. Desde o primeiro dia de aula constatei uma verdade já profetizada por Mário Quintana: “a amizade é um amor que nunca morre.”
Pois bem, ingressei esse ano no excelente quadro de professores do Unisalesiano, faculdade a qual cresce dia a dia e muitas vezes resta por perturbar algumas concorrentes, instituição com uma das melhores notas de avaliação do MEC. Muitos ainda não acreditam na nossa ascensão, mas essa colação vem apenas consolidar sonhos que há alguns anos foram plantados. Que venham as críticas, que venha o MEC e que venham todos os desafios.
Mas como dizia, minha mensagem deve ser direcionada a vocês, nobres afilhados.
Ahhhh, meus novos colegas, que mundo repleto de alegrias e tristezas vocês têm pela frente, um mundo que vem presenciando fome, miséria, corrupção, hipocrisia, ditaduras, incompetências administrativas e violação diária dos direitos humanos, em todas suas dimensões. Um mundo que vê os pais lançarem uma filha pela janela (falo do caso Nardoni que aterrorizou o Brasil nesse ano de 2008), um mundo que presencia chefes de governos corruptos, livres e “obesos”, em comparação ao infindável número de miseráveis que clamam por ajuda
Entretanto, embora o mundo lute contra os homens de bem, os homens não podem abandonar a luta por um mundo melhor. Esse quadro aparentemente caótico não poderá ser um obstáculo, mas sim um motivador.
Já dizia Gregório de Nissa, místico grego do século IV, os sofrimentos, os problemas são combustíveis que movimentam nossa gana por dias melhores. Imaginem um esportista numa maratona, ele mais se empenha à vitória, mais almeja o primeiro lugar na mesma proporção que é pressionado pelos adversários. Os adversários da maratona da vida de vocês são os problemas, os obstáculos.
Uma aprovação condicionada numa monografia deve acordar vocês para um trabalho melhor, uma dependência numa disciplina, um exame ou uma mensalidade em atraso devem ser razões para lutas dignas, mas determinadas, desmotivar jamais, persistir sempre. Anselm Grum, monge alemão, afirmou que “podemos encontrar um caminho para a felicidade na realidade de um mundo que nos ameaça e persegue.”
Tenho conhecimento e presenciei esse ano muitas de suas dificuldades. Sei de muitos alunos que moravam em cidades distantes, estudavam, trabalhavam e residiam em lugares diferentes. Pessoas que tiveram sérias dificuldades quanto ao pagamento de mensalidades, alguns que perderam amores, amigos e familiares, outros que ganharam amores, amigos e familiares. Há quem passou fome, há quem sem ter problemas, inventou alguns. Mas tudo isso serve de bagagem, de experiência para valorizarem ainda mais esse diploma, de bacharel em Direito.
Meus amigos, isso tudo faz parte do processo da vida, ter problemas na vida é uma regra, ninguém escapa, agora, ser derrotado pelos mesmos é mera opção, optem pela esperança, pela felicidade, pela fé, por dia melhores, por um mundo melhor.
E é essa esperança por dias melhores que me move, que me faz acreditar nessa turma, os problemas que passaram durante esses cinco anos servirão de base para aperfeiçoamento dos alunos e, também, da própria Instituição, que sempre precisa se qualificar, se realmente quer se consolidar como uma instituição de ensino superior de ponta.
A história do Direito em Araçatuba é outra a partir de hoje, podem me julgar demasiadamente dramático, mas meu sonho por um país mais limpo é alimentado com a colação de grau de meus alunos hoje.
Antes de encerrar definitivamente, peço licença aos presentes para citar meu amado Estado, o Rio Grande do Sul. O gaúcho é rotulado como ser apartado, sempre querendo ser diferente e de defender de forma exacerbada seu Estado, mas, por favor, entendam-nos, amamos aquela terra, nossas origens e tradições. Mas qual a pertinência dessa referência para a presente colação? Lembro de um trecho do hino rio-grandense, que assim se encontra: “povo que não tem virtudes acaba por ser escravo”, eu como gaúcho fanático e de certa forma bairrista achava que essas “virtudes” do nosso hino estavam presentes somente no meu Estado, o RS, mas esse ano de aprendizado com meus alunos e desfrutando desta bela Araçatuba me ensinou que o Estado de São Paulo é repleto de virtudes, basta a nós encontrá-las e adotá-las. Uma das maiores virtudes que há, para mim, hoje, é assumir publicamente que fui professor de vocês, obrigado de coração por terem cruzado minha vida.
Minha mensagem final inspira-se nos históricos discursos de Winston Churchill, primeiro-ministro inglês durante a 2ª Guerra Mundial, e de Charles Chaplin. Face o exposto, digo a vocês nobres afilhados: EU NADA MAIS TENHO A OFERECER A VOCÊS SENÃO GRATIDÃO, RESPEITO, ESPERANÇA, FÉ, FIDELIDADE E AMOR VERDADEIRO POR MEUS QUERIDOS ALUNOS, SEJAM FELIZES, NÃO DECEPCIONEM AS PESSOAS QUE AQUI SE ENCONTRAM E QUE FORAM OS ALICERCES PARA QUE ALCANÇASSEM ESSE DIPLOMA. ARREBENTEM E TENTEM PURIFICAR ESSE PAÍS, RENEGANDO TODA FORMA DE HIPOCRISIA QUE TENTA SEPULTAR NOSSA MAIS TENRA ESPERANÇA. LUTEMOS POR UMA FRATERNIDADE UNIVERSAL, GARANTINDO UM “FUTURO À MOCIDADE E SEGURANÇA À VELHICE.”
Até mais. Sejam felizes e comemorem. Que Deus ilumine a todos!
Foi um privilégio. E eu, de forma muito emocionada, com as lágrimas já prontas para se manifestarem, agradeço a paciência de todos, em especial dos familiares que foram as bases para essa conquista!
MUITO OBRIGADO!!!!!!