Por Bruno Bianco Leal
Como citar este artigo: LEAL, Bruno Bianco. Período-prêmio: O bom uso da língua portuguesa.Disponível em http://www.sosconcurseiros.com.br.
Queridos amigos e queridas amigas, ciente de que todos merecem e necessitam de um período de descanso, deixando um pouco de lado o estudo técnico do Direito, aproveito a oportunidade para tratar de um tema que é, sem qualquer dúvida, dos maiores responsáveis por reprovações em provas de concurso: A LÍNGUA PORTUGUESA.
Sempre me preocupei com esse fator, mas nos últimos dias tenho percebido sua imprescindibilidade, já que me estão sendo dirigidas algumas tristes histórias de candidatos muito bem preparados, que foram sumariamente excluídos de seus respectivos concursos, por conta do mau uso da língua portuguesa.
Isso mesmo: candidatos fortíssimos, com amplíssimo conhecimento jurídico, que realizaram provas excepcionais, mas que foram excluídos pelo cometimento de erros de português.
Hoje em dia, TODAS as provas se apegam ao uso culto da língua portuguesa, sem falar naquelas bancas que fazem desse, critério de correção (como o CESPE, por exemplo), ou mesmo matéria obrigatória a ser questionada. Portanto, meu objetivo é demonstrar a vocês a necessidade de se incluir o estudo da língua portuguesa em seus horários de estudo, ainda que essa disciplina não conste do conteúdo programático de seu concurso. Vejamos o porquê disso:
O Direito, inicialmente concebido como o conjunto de normas aptas a regulamentar a vida em sociedade, formou-se e cresceu em importância, à medida que o ser humano congregou-se em grupos, exercitando o convívio social.
Deste modo, Direito e “communicare” (convivência, relação de grupos, sociedade.) encontram-se intimamente atrelados, do que resulta a direta proporcionalidade entre a mais efetiva comunicação e o mais efetivo direito – quanto maior a comunicação, mais concretizado estará o Direito.
Neste sentido, vale lembrar o entendimento de Edmundo Dantes Nascimento, citado por Eduardo de Moraes Sabbag em matéria Publicada na revista Consulex de 15/09/04; senão vejamos:
A linguagem é um meio de transmissão de idéias. Quanto melhor for o meio, melhor será a transmissão. Em direito, a transmissão terá que ser perfeita, a fim de alcançar seus altos objetivos.
Assim, não restam dúvidas acerca da importância do domínio da língua para se dar bem em qualquer atividade jurídica, e mais ainda, na busca pela aprovação em concursos públicos.
Não podemos perder de vista que o único contato que temos com nosso examinador se dá por meio da palavra (escrita ou verbalmente em provas orais). Desta feita, imprescindível (e até mais importante que o conhecimento técnico) a utilização de um português claro (evitando expressões estrangeiras), com períodos curtos, idéias coesas e, sobretudo, perfeição no uso da gramática (acentuação, morfossintaxe etc.).
Toda e qualquer comunicação pressupõe dois interlocutores (emissor e receptor), e um meio através do qual a mensagem (conteúdo) é transmitida. Faltante um dos “requisitos”, não há que se falar em comunicação.
A prova de concurso nada mais é que um exemplo de comunicação, na qual nós somos os emissores, os examinadores são os receptores, o direito é a mensagem e a língua o meio que a propaga.
Assim, ainda que se tenha profundo conhecimento da matéria, mas não tenha domínio da língua portuguesa, não se implementará a comunicação, por deficiência do meio propagador. O resultado, em tais casos, será a REPROVAÇÃO.
Constata-se que o domínio da língua portuguesa é tão ou mais importante que o domínio do Direito, motivo pelo qual seu estudo e treinamento devem ser feitos com seriedade, disciplina e afinco. Para tanto, é indicado o estudo da gramática, a realização de dissertações-treino, bem como a leitura de clássicos da literatura, que aprimoram o vocabulário e agregam cultura à sua escrita.
Fiquem atentos a essa realidade, pois o bom uso da língua certamente fará a diferença, seja na hora da sua prova, seja em sua vida pessoal e profissional.
Forte abraço a todos a todas!