Por Bruno Bianco Leal
Como citar este artigo: LEAL, Bruno Bianco. Provas de concurso: da tática à pratica. Disponível em http://www.sosconcurseiros.com.br
Queridos amigos e queridas amigas, há muito que me questionam a respeito da existência de técnicas ou táticas para serem utilizadas na hora da prova, de maneira a maximizar os acertos, bem como cativar o examinador, em se tratando de uma prova dissertativa e/ou oral.
Para ser bem sincero com os(as) colegas, a sorte é um fator muito importante em nossas vidas, e mais ainda, quando se está diante de uma prova com tantos meandros e especificidades como a de um concurso público.
Sucede que, existem algumas maneiras de nos sintonizarmos com a sorte, trazendo-a para o nosso lado, ou melhor, possibilitando que ela atue a nosso favor.
Pensando nisso, resolvi trazer aos companheiros e companheiras de luta algumas técnicas práticas muito úteis na arte de bem fazer uma prova de concurso.
Antes de iniciar, no entanto, faço quatro observações importantíssimas:
- As técnicas que serão expostas NÃO são eficazes por si sós, sendo necessários uma boa preparação e um bom conhecimento jurídico por parte do candidato;
- Tratam-se de táticas, estratégias que ajudam na hora da prova, e não de métodos infalíveis ou fórmulas milagrosas.
- Nunca deixe de estudar, pois essa sempre será a melhor forma de passar rápido num concurso público.
- Todas as dicas que aqui serão expostas, bem como TUDO que um concurseiro deve saber para uma boa e rápida aprovação, estarão disponíveis no Livro Vida de Concurseiro - a melhor técnica para passar rápido em concursos, de minha autoria em conjunto com o colega Bruno Haddad Galvão, o qual será publicado muito em breve.
Feitas essas breves considerações, passemos à nossa estratégia:
Antes de qualquer coisa, devemos ter em mente o tipo de prova que iremos enfrentar, já que elas (teste, somatório – Cespe - dissertativa, práticas - peças e pareceres - e oral) são absolutamente distintas e, pois, requerem uma postura diferente por parte do candidato diligente.
Estudemos cada uma delas:
1. A prova teste ou de múltipla escolha:
Este tipo de prova, apesar de pouco avaliar o conhecimento do candidato, ainda é a mais utilizada nas primeiras fases de muitos concursos do País.
Geralmente as provas são divididas por matérias, e trazem um enunciado seguido por quatro ou cinco alternativas, das quais somente uma é a correta.
Minha primeira preocupação com esse tipo de prova é o tempo, já que muito raramente ele é suficiente.
Assim, uma boa técnica é iniciar a prova por aquelas disciplinas com as quais o candidato possui maior aptidão, ou esteja mais bem preparado.
Procedendo dessa forma, além de melhor administrar o tempo, adquire-se confiança, a qual é fundamental para o bom andamento da prova.
Ademais, ainda com relação ao tempo, é necessário deixar um alerta: NÃO BRIGUE COM AQUELAS QUESTÕES DIFÍCEIS, O TEMPO PERDIDO PODE LHE CUSTAR MUITO CARO; não perca mais de 3 (três) minutos por questão; não sabendo, pule para a próxima!!!
Noutro sentido, cuide-se para não cair nas malfadadas “pegadinhas”. Elas, geralmente estão nas seguintes expressões: nunca, sempre, somente, apenas, talvez, uma única vez etc.. Portanto, ao se verem diante dessas expressões, logo desconfiem.
Outra dica bastante importante, que algumas vezes funciona, é o que eu denomino de “chute inteligente”. As estatísticas mostram que as disciplinas possuem uma distribuição equivalente de alternativas certas; vale dizer: se a prova tiver 10 questões de direito constitucional, por exemplo, o gabarito tenderá a ter uma distribuição eqüitativa de letras, ou seja, duas alternativas “a”, duas “b”, duas “c”, duas “d”, e duas “e”, como sendo as corretas.
Assim, após o término de cada disciplina, conte o número de alternativas de determinada letra que você assinalou, e chute aquelas que não soube, na letra em que menos marcou.
Exemplificando: se na mesma prova de direito constitucional você não soube fazer duas, e nas demais, você não tenha assinalado nenhuma vez a letra “a”, chute aquelas que não soube na letra “a”. Dessa maneira aumentará as chances de “fazer um gol”.
2. A prova tipo somatório:
Este tipo de prova, em nosso país, se tornou quase que uma exclusividade dO Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília). Todavia, não se animem aqueles que abominam essa espécie de prova, pois O Cespe hoje é responsável pela elaboração de provas de altíssima importância, sem falar que os concursos federais são sua maior especialidade.
Assim, já que não podemos mudar essa realidade, sugiro que nos adaptemos a ela.
A prova consiste de assertivas às quais deveremos marcar como certa ou errada.
Feitos esses esclarecimentos iniciais, vamos às dicas:
Primeiramente, faça muitas (se puder todas) as provas passadas elaboradas pelo Cespe; assim conseguirá pegar o “jeito” da prova, já que se trata de uma novidade para muitos; não se pode entrar numa briga sem conhecer o inimigo, sem falar que eles costumam repetir várias questões.
Atente, pois isso é fundamental e faz a diferença!!!
Outro ponto importante que propositalmente omiti dos colegas, é o seguinte: a depender do concurso, cada alternativa errada marcada no gabarito, uma ou meia certa é anulada. Assim, é comum em provas desse tipo, candidatos saírem devendo nota ao examinador. Desta feita, devemos estabelecer algumas técnicas para a sua realização:
Primeiramente, leia com bastante atenção o edital do concurso e veja se cada alternativa errada anula uma certa, ou apenas meia alternativa certa.
Caso seja uma por uma, você somente deverá assinalar aquelas em que esteja com plena confiança; na dúvida, deixe em branco!
Do contrário, se na sua prova cada alternativa errada anular, apenas, meia alternativa certa, apesar de ser necessária muita cautela, você poderá dar alguns chutes, pois a probabilidade de acerto será grande, já que existe 50% (cinqüenta por cento) de chance de acerto (verdadeiro ou falso). Nesse caso, vale a pena assumir o risco. Mas lembre-se: naquelas em que nem faça idéia do assunto, o melhor negócio é deixar em branco.
3. As provas dissertativas e praticas:
Queridos amigos e queridas amigas, aqui a dica de ouro é a seguinte: o bom uso da língua portuguesa!
Lembrem-se que o examinador já fez a “peneira”, e já sabe que você é um bom (ou uma boa) conhecedor(a) do direito, pois passou pela duríssima primeira fase.
Assim, o que ele busca nesta fase é, além de bons argumentos jurídicos, uma boa e culta escrita, linguagem clara, coesão, paragrafação, letras legíveis etc..
Muitos devem estar se perguntando: como faço para estudar para a segunda fase?
A resposta:
· Construa teses em sua casa; escreva sobre tudo o que acha que pode ser perguntado, e peça a um colega ou a um parente analisar;
· Para descobrir os temas prediletos dos examinadores, coloque os seus respectivos nomes em sites de pesquisa na Internet, e tente coletar o maior número de informações possível sobre eles; por exemplo: atuação profissional, associações às quais ele é afiliado, livros e artigos publicados. Certamente ele perguntará sobre um tema de sua predileção;
· Para treinar pareceres, procure na Internet alguns emitidos pelo próprio órgão no qual pretende ingressar. Siga exatamente o mesmo modelo, e faça vários com os mais diversos temas afetos à Instituição;
· Com relação às peças processuais, o que mais importa são os temas, os quais você domina há muito tempo. Assim, pegue o art. 282 do CPC e monte um modelo de petição; seguindo este modelo, faça petições dos mais variados temas e, uma vez feito isso, faça as respectivas contestações e os eventuais recursos cabíveis. Procedendo dessa maneira, fixará a um só tempo as teses, os modelos e a sistemática do processo.
1. A prova oral:
Inicialmente, pesquise sobre os examinadores e suas respectivas predileções, e vá assistir a alguns exames de outros colegas. Assim, não será pego de surpresa.
Cuide muito bem de seu estado emocional, pois esta, certamente, é a questão central a ser analisada pelo examinador.
Pegue todas as teses feitas quando do estudo para a segunda fase, e treine falando a um amigo, parente ou mesmo para o espelho. Isso fará com que perca a inibição, talvez a maior barreira a ser transposta.
Não pense no examinador como um carrasco, mas sim como um amigo, e talvez, um futuro colega de profissão. Não tenha medo!
Mantenha a humildade, pois esta pode geram uma admiração por parte do examinador, a qual lhe ajudará muito.
Por fim, lhes ensinarei uma tática que espero seja bem entendida pelos nobres examinadores de todo o país, pois não se trata de “enganação”, mas sim de demonstração de conhecimento. Mas lembrem-se: isso só deve ser usado em último caso!!!
Caso tenham sido argüidos sobre um tema que dominam apenas superficialmente, mas saibam muito sobre outro tema correlato, o qual, também sabem ser muito apreciado pelo examinador e pertinente ao cargo, comecem a falar do que foi perguntado, mas logo tentem levar a conversa para o outro tema, demonstrando conhecimento, e “pedindo” (nas entrelinhas) para que o examinador lhe argua sobre o tema que você se sente mais seguro.
Atenção: nunca tente enganar o examinador, pois certamente ele perceberá; se realmente não souber nada sobre o que foi perguntado, seja humilde e diga: “desculpe excelência, mas eu não me recordo”! Em casos como tais, a melhor opção é a humildade e a sinceridade.
Pois bem, era isso pessoal!
Do mais, me coloco à total disposição de todos para eventuais questionamentos via e-mail: brunob@sosconcurseiros.com.br.
Forte abraço a todos e todas e ótimas provas!!!